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Festival de Documentários em Brasília

Quisera eu ter tempo de ir ao cinema… mas para quem pode, o festival “É tudo verdade” é imperdível.

Cicero Dias, de Vladimir Carvalho. Divulgação.
Cicero Dias, o Compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho. Divulgação.

O É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários vai de 5 a 8 de maio no Espaço Itaú de Cinema, com sessões gratuitas. A programação traz a exibição dos filmes vencedores da competição brasileira e da internacional e uma seleção com seis títulos das diversas mostras do festival.“Brasília honra-nos com a mais antiga itinerância do É Tudo Verdade, realizada desta vez com a parceria do Espaço Itaú de Cinema”, afirma o crítico Amir Labaki, criador e diretor do festival. O público brasiliense, segundo Labaki, terá o privilégio de assistir em primeira mão a alguns dos mais instigantes documentários brasileiros e internacionais, antes mesmo da estreia mundial. Será uma rara oportunidade de se manter atualizado, pois a maior parte dos filmes não terá exibição comercial no Brasil.

Um dos destaques da programação, que integra a competição nacional, é o documentário “Cícero Dias, o Compadre de Picasso”, do prestigiado diretor Vladimir Carvalho, que resgata o período em que o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003) viveu em Paris, durante a ditadura Vargas, onde conheceu e se tornou amigo do catalão Pablo Picasso, exilado do regime franquista.

Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.
Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.

Outra ditadura, agora a de 1964, está presente no filme “Lampião da Esquina”, de Lívia
Perez, integrante da mostra O Estado das Coisas, sobre o trabalho de resistência desenvolvido por jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros no jornal “O Lampião”, que retratava o ponto de vista dos homossexuais em questões políticas e comportamentais, em pleno regime militar.Integrante da mostra Foco Latino-americano, o documentário “Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez”, do britânico Justin Webster, explora a trajetória do escritor colombiano (1927-2014), prêmio Nobel de Literatura, buscando na infância do autor o material que alimentou sua obra premiada.

Um Caso de Família.
Um Caso de Família.


Programação:
05/05 quinta feira – sessão inaugural, aberta ao público
20h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min

06/05 sexta feira
16h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
18h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO BRASILEIRA LONGAS OU MÉDIAS METRAGENS / O Futebol / SERGIO OKSMAN / BRASIL, ESPANHA / 70min

07/05 sábado
16h30 – COMPETIÇÃO INTERNACIONAL – LONGAS / Chicago Boys / CAROLA FUENTES, RAFAEL VALDEAVELLANO / CHILE / 96min
18h30 – mostra FOCO LATINO / Gabo: a Criação de Gabriel Gárcia Márquez / JUSTIN WEBSTER /ESPANHA / 90min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO INTERNACIONAL LONGAS / Um Caso de Família / TOM FASSAERT /HOLANDA, BÉLGICA, DINAMARCA /116min
08/05 domingo
16h30 – mostra CINEMA OLYMPIA / CINE OLYMPIA / Os Campeões de Hitler / JEAN-CHRISTOPHE ROSÉ / FRANÇA / 102min
18h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
20h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Atentados: As Faces do Terror / STÉPHANE BENTURA /FRANÇA / 95min

Sinopses:

GABO: A CRIAÇÃO DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Direção: Justin Webster
Espanha, 90′, 2015, 10 anos
MOSTRA FOCO LATINO-AMERICANO
O documentário do britânico Justin Webster explora os caminhos inseparáveis da vida e da obra do escritor Gabriel García Márquez (1927-2014), especulando como o menino nascido num obscuro vilarejo colombiano, Aracataca, transforma-se em jornalista e escritor vencedor do Nobel de Literatura. Usando suas memórias infantis como matéria-prima de uma sensibilidade mágica, ancorada num constante engajamento político e social, Márquez incendiou a imaginação de milhões de leitores nos quatro cantos do mundo.

OS CAMPEÕES DE HITLER
Direção: Jean-Christophe Rosé
França, 102′, 2015, 12 anos
MOSTRA CINEMA OLYMPIA
Assim que tomaram o poder, os nazistas converteram o esporte num dos mais eficazes
instrumentos de propaganda de seu objetivo de criação de “um novo homem”. Atletas
alemães foram pressionados a quebrar todos os recordes, em nome de anunciar ao mundo a superioridade ariana. O ponto alto seriam as Olimpíadas de Berlim, em 1936, mas ali mesmo a falácia começa a ruir.

LAMPIÃO DA ESQUINA
Direção: Lívia Perez
Brasil-SP, 82′, 2016, 18 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Inspirado no jornal norte-americano “Gay Sunshine”, surgiu no Brasil, em abril de 1978, em plena ditadura, o jornal “O Lampião”, retratando o ponto de vista dos homossexuais sobre diversas questões, inclusive a sexualidade. Um grupo de jornalistas e escritores do Rio e de São Paulo se uniram em torno do projeto, alimentando uma publicação que abriu caminhos para a imprensa da época, abordando temas polêmicos naqueles dias, como racismo, aborto, drogas e prostituição.

ATENTADOS: AS FACES DO TERROR
Direção: Stéphane Bentura
França, 95′, 2016, 16 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Buscando compreender as razões que levaram aos atentados contra o semanário “Charlie Hebdo”, o mercado Hyper Cacher, em janeiro de 2015, e a casa de shows Bataclan, em novembro do mesmo ano, examinam-se as trajetórias de alguns de seus perpetradores. Retraçando sua história e ouvindo seus familiares, conhecidos, professores e especialistas, além de recorrer a materiais de arquivo, busca-se identificar os pontos de ruptura que levam à alienação destes renegados da sociedade.

CHICAGO BOYS
Direção: Carola Fuentes, Rafael Valdeavellano
Chile, 96′, 2015, 12 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Responsáveis pelo modelo econômico ultraliberal instalado no Chile na ditadura Augusto Pinochet (1973-1990), os chamados “Chicago Boys” – economistas formados na Universidade de Chicago – recontam sua formação. São entrevistados Rolf Lüders e Sergio de Castro, ministros de Pinochet; Ernesto Fontaine, colaborador do regime militar e formador de economistas; Carlos Massad, ex-presidente do Banco Central e ministro do governo Eduardo Frei; e Ricardo Ffrench-Davis, a voz mais crítica sobre as práticas neoliberais no Chile.

CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO
Direção: Vladimir Carvalho
Brasil-DF, 79′, 2016, 14 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Pintor pernambucano ligado aos modernistas, Cícero Dias (1907-2003) radicou-se em Paris a partir de 1937, fugindo à perseguição política do Estado Novo. Apesar da distância do país natal, ele nunca perdeu de vista as cores e os sons de sua infância, na casa de Jundiá, mesclando essas raízes com a convivência com nomes de ponta das vanguardas europeias, como Pablo Picasso, Fernand Léger e Joan Miró. Dessa troca de influências, nasceu um pintor de repercussão internacional, que transformou toda sua vivência, inclusive sua reclusão durante a II Guerra, em base de uma arte que atravessa fronteiras.

O FUTEBOL
Direção: Sergio Oksman
Brasil, Espanha, 70’, 2015, Livre
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Sergio e seu pai, Simão, não se viram ao longo de 20 anos. A realização da Copa de 2014 no Brasil fornece ao filho, que mora na Espanha, um pretexto para conviver algum tempo com o pai, retomando seu antigo hábito de assistirem a jogos juntos, mantido quando o filho era garoto. À medida que ambos se reaproximam, suas conversas os levam ao encontro do passado e das questões deixadas em aberto pela distância. Correndo em paralelo com os jogos da Copa, seus encontros deixam claro que algo escapou do plano inicial. E que esta viagem poderá trazer, mais do que reconciliação, uma exploração em território desconhecido.

UM CASO DE FAMÍLIA
Direção: Tom Fassaert
Holanda, Bélgica, Dinamarca, 116’, 2015, 12 anos
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Para o cineasta Tom Fassaert, sua avó paterna, Marianne Hertz, sempre foi um mistério. Ele a conheceu por contatos esparsos e, particularmente, pelas histórias negativas que seu pai, Rob, sempre lhe contou sobre ela – como a de que sua mãe era uma mulher fatal, devoradora de homens, que pôs os filhos num orfanato e abandonou a família para viver na África do Sul. Quando Tom completa 30 anos, recebe um inesperado convite da avó para visitá-la. Decide, então, que esta será uma excelente oportunidade para confrontar os diferentes mitos em torno dela e dar-lhe a chance de contar diante da câmera sua própria versão dos fatos.

O Futebol.
O Futebol.

Serviço: É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Data: De 5 a 8 de maio
Local: Espaço Itaú de Cinema – Shopping CasaPark (SGCV, s/n – 3A – Guará)
Entrada franca
97 lugares.

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Fotografia e violência

Olá gente,

Como vamos discutir um pouco de fotografia na próxima semana, estou sugerindo três filmes interessantes que podem auxiliar os interessados a problematizar a relação entre fotografia e violência.

Foi uma discussão que veio a tona na turma de IEH, na qual leremos um texto da Susan Sontag, romancista e ensaísta norte-americana, sobre o tema.

Dois dos filmes encontram-se no Popocorn Time. Como disse também, o Popcorn baixado do site www.popcorn-time.se continua ativo por enquanto. Lá você pode encontrar “A thousand times good night” (2013, 111 min.) e “The bang bang club” (2010, 106 min.). Não verifiquei se as legendas em português funcionam. O terceiro filme é “War photographer” (2001, 96 min.), um documentário. Recomendo os três, mas se pode ver apenas um,  sugiro o último.

O filme “A thousand times good night” retrata a vida de uma fotojornalista que sobrevive a um atentado. A trama gira em torno dos dilemas que ela vive diante das demandas da família, de seu papel de mãe e diante das exigências e riscos do seu trabalho. É um filme interessante para pensarmos sobre as motivações que fazem com que fotógrafos se arrisquem em zonas de conflito.

Captura de tela 2015-11-20 14.41.57

O segundo filme, “The bang bang club”, trata da trajetória de um grupo de fotógrafos da África do Sul que ficou internacionalmente conhecido por sua cobertura dos úlitmos dias do Apartheid. Dentre os fotógrafos que fazem parte do grupo está Kevin Carter, autor da célebre foto da criança e do abutre. O filme também retrata de maneira relativamente justa as condições de seu suicídio.

Captura de tela 2015-11-20 14.42.22

O terceiro filme, “War photographer”(2001, 96 min.), é um documentário sobre a carreira de James Natchwey, o maior fotógrafo de guerra dos anos de 1990 em diante. É um documentário bastante importante, indicado ao Oscar em 2002, que trata com profundidade a questão da fotografia de guerra e a relação entre fotografia e violência. O documentário encontra-se disponível no Youtube.

IEH | Leituras da semana (16 a 18/11)

Pessoal,

Eis as leituras da semana:

16/11 Carlo Ginzburg, “‘Seu país precisa de você’: um estudo de caso em iconografia política”, in Medo, reverência, terror. Quatro ensaios de iconografia política, Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 2013, pp. 61­-100.

18/11 Robert A Rosenstone. “A história nos filmes” e “Ver o passado”, in A história nos filmes, os filmes na história, Ed. Paz e Terra, São Paulo, 2010, pp.13­-54

IEH | Shoah

Vamos começar a discutir alguns textos sobre o tema da memória e história. Eu já havia mencionado, no começo do curso, o documentário “Shoah”, do cineasta francês Claude Lanzmann, sobre o Holocausto. É provavelmente o documentário mais importante sobre o tema produzido até hoje. Lanzmann volta aos campos de concentração, conversa com sobreviventes, com os moradores das cidades onde viviam a maior parte dos judeus assassinados. Ele tem acesso a histórias que nunca havíamos escutado antes, contadas por pessoas envolvidas nos acontecimentos. Nos depoimentos ali apresentados podemos perceber, de maneira muito clara, o próprio trabalho da memória em ação.

Vou deixar aqui a versão que há no youtube. Infelizmente, não encontrei o filme legendado. Mas quem sabe um pouco de inglês acho que consegue acompanhar.

F for Fake, Orson Welles

Pessoal,

Havia comentado na sala, talvez na turma de Teoria, o documentário “F for fake”, do Orson Welles, um documentário sobre falsificações.

Trata-se uma documentário sobre um falsificador europeu, chamado Elmyr de Hory, que faz falsificações originais. Ou seja, ele não copia uma obra existente. Ele cria uma obra nova, não catalogada, baseada no estilo de algum pintor notório. Diz a lenda que ele inundou a Europa de obras falsas no pós-guerra, quando o mercado de arte se desestruturou durante o conflito.

No entanto, a maior parte do que é conhecido sobre Elmyr, é o que se encontra escrito em sua biografia, baseada em diversas horas de entrevistas nas quais ele detalha sua vida e sua atividade. Elmyr, uma figura muito extravagante e curiosa, não confirma tudo que está na sua biografia, diz que são invenções de seu biógrafo. A negação é algo que se poderia esperar de Elmyr porque muitos de seus atos são crimes que deveriam ser punidos se levados a um tribunal. Seu biógrafo, por sua vez, acusa Elmyr de apresentar um relato falso sobre sua própria vida.

A chave da questão é o seu biógrafo, Clifford Irving. Anos antes de escrever a biografia de Elmyr ele havia sido condenado pela justiça dos EUA  por forjar um livro de entrevistas com o milionário norte-americano Howard Hughes. Irving teria escrito o livro baseado em horas de entrevistas e documentos fornecidos pelo próprio Hughes. Hughes, no entanto, negou que sequer tenha conhecido Irving, e o processou por forjar o livro. Irving, portanto, é também um falsário.

Quem está certo? O que é falso e o que é verdadeiro nessa história?

O documentário está disponível no Youtube, com legendas em espanhol.

“O dia que durou 21 anos”

O dia 31 de março marca o início do Regime Militar no Brasil. Nesse dia, tropas de Minas Gerais começaram a se encaminhar para o Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o Governo João Goulart. Em 2 de abril, o Congresso Nacional declarou vaga a Presidência da República enquanto João Goulart viajava pelo interior do Rio Grande do Sul.

O Golpe de Estado, no entanto, foi o passo final de um processo de conspiração, no qual lideranças civis, empresários e políticos, oficiais das forças armadas e representantes do Governo dos EUA se articularam para depor o governo democraticamente eleito.

O documentário “O dia que durou 21 anos”, lançado inicialmente como uma série de 3 programas na TV Brasil, baseado em pesquisas nos EUA e no Brasil, mostra para além da dúvida, a participação ativa do governo dos EUA para a desestabilização política no país.

Abaixo eu deixo o primeiro episódio. O documentário não está livre na internet, mas pode ser encontrado para alugar no youtube, itunes, ou via torrent.