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IEH | Leituras da semana (03 a 05/10)

Olá pessoal,

Eis as leituras da semana:

03/10 Robert Burgoyne, “Memória protética/memória nacional: Forrest Gump o contador de histórias. in A nação do filme, Ed. UnB, Brasília, 2002, pp. 145­-164.(texto apenas na copiadora).

05/10 Eric Hobsbawn, “A nação como novidade”, in Nações e nacionalismo desde 1870, Ed. Paz e Terra, São Paulo, 1998, pp. 27-­63.

Teoria da História | Robert Rosenstone

Para aqueles que querem a versão em inglês do livro do Rosenstone, clique no link abaixo:

• ROSENSTONE, Robert. History on film

Teoria da História | Leituras da semana (6 a 9/06)

Olá gents,

Eis as leituras da semana. Apenas o segundo texto tem uma versão em pdf. O outro texto encontra-se na copiadora.

06 e 07/06 Robert Rosenstone, “Os filmes na história”, in A história nos filmes, os filmes na história, Paz e Terra, São Paulo, 2010, pp. 225-239.

08 e 09/06 Edward Said, “Introdução” in Orientalismo. O Oriente como invenção do Ocidente, Cia das Letras, São Paulo, 1990, pp. 13-39.

Festival de Documentários em Brasília

Quisera eu ter tempo de ir ao cinema… mas para quem pode, o festival “É tudo verdade” é imperdível.

Cicero Dias, de Vladimir Carvalho. Divulgação.
Cicero Dias, o Compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho. Divulgação.

O É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários vai de 5 a 8 de maio no Espaço Itaú de Cinema, com sessões gratuitas. A programação traz a exibição dos filmes vencedores da competição brasileira e da internacional e uma seleção com seis títulos das diversas mostras do festival.“Brasília honra-nos com a mais antiga itinerância do É Tudo Verdade, realizada desta vez com a parceria do Espaço Itaú de Cinema”, afirma o crítico Amir Labaki, criador e diretor do festival. O público brasiliense, segundo Labaki, terá o privilégio de assistir em primeira mão a alguns dos mais instigantes documentários brasileiros e internacionais, antes mesmo da estreia mundial. Será uma rara oportunidade de se manter atualizado, pois a maior parte dos filmes não terá exibição comercial no Brasil.

Um dos destaques da programação, que integra a competição nacional, é o documentário “Cícero Dias, o Compadre de Picasso”, do prestigiado diretor Vladimir Carvalho, que resgata o período em que o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003) viveu em Paris, durante a ditadura Vargas, onde conheceu e se tornou amigo do catalão Pablo Picasso, exilado do regime franquista.

Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.
Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.

Outra ditadura, agora a de 1964, está presente no filme “Lampião da Esquina”, de Lívia
Perez, integrante da mostra O Estado das Coisas, sobre o trabalho de resistência desenvolvido por jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros no jornal “O Lampião”, que retratava o ponto de vista dos homossexuais em questões políticas e comportamentais, em pleno regime militar.Integrante da mostra Foco Latino-americano, o documentário “Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez”, do britânico Justin Webster, explora a trajetória do escritor colombiano (1927-2014), prêmio Nobel de Literatura, buscando na infância do autor o material que alimentou sua obra premiada.

Um Caso de Família.
Um Caso de Família.


Programação:
05/05 quinta feira – sessão inaugural, aberta ao público
20h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min

06/05 sexta feira
16h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
18h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO BRASILEIRA LONGAS OU MÉDIAS METRAGENS / O Futebol / SERGIO OKSMAN / BRASIL, ESPANHA / 70min

07/05 sábado
16h30 – COMPETIÇÃO INTERNACIONAL – LONGAS / Chicago Boys / CAROLA FUENTES, RAFAEL VALDEAVELLANO / CHILE / 96min
18h30 – mostra FOCO LATINO / Gabo: a Criação de Gabriel Gárcia Márquez / JUSTIN WEBSTER /ESPANHA / 90min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO INTERNACIONAL LONGAS / Um Caso de Família / TOM FASSAERT /HOLANDA, BÉLGICA, DINAMARCA /116min
08/05 domingo
16h30 – mostra CINEMA OLYMPIA / CINE OLYMPIA / Os Campeões de Hitler / JEAN-CHRISTOPHE ROSÉ / FRANÇA / 102min
18h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
20h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Atentados: As Faces do Terror / STÉPHANE BENTURA /FRANÇA / 95min

Sinopses:

GABO: A CRIAÇÃO DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Direção: Justin Webster
Espanha, 90′, 2015, 10 anos
MOSTRA FOCO LATINO-AMERICANO
O documentário do britânico Justin Webster explora os caminhos inseparáveis da vida e da obra do escritor Gabriel García Márquez (1927-2014), especulando como o menino nascido num obscuro vilarejo colombiano, Aracataca, transforma-se em jornalista e escritor vencedor do Nobel de Literatura. Usando suas memórias infantis como matéria-prima de uma sensibilidade mágica, ancorada num constante engajamento político e social, Márquez incendiou a imaginação de milhões de leitores nos quatro cantos do mundo.

OS CAMPEÕES DE HITLER
Direção: Jean-Christophe Rosé
França, 102′, 2015, 12 anos
MOSTRA CINEMA OLYMPIA
Assim que tomaram o poder, os nazistas converteram o esporte num dos mais eficazes
instrumentos de propaganda de seu objetivo de criação de “um novo homem”. Atletas
alemães foram pressionados a quebrar todos os recordes, em nome de anunciar ao mundo a superioridade ariana. O ponto alto seriam as Olimpíadas de Berlim, em 1936, mas ali mesmo a falácia começa a ruir.

LAMPIÃO DA ESQUINA
Direção: Lívia Perez
Brasil-SP, 82′, 2016, 18 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Inspirado no jornal norte-americano “Gay Sunshine”, surgiu no Brasil, em abril de 1978, em plena ditadura, o jornal “O Lampião”, retratando o ponto de vista dos homossexuais sobre diversas questões, inclusive a sexualidade. Um grupo de jornalistas e escritores do Rio e de São Paulo se uniram em torno do projeto, alimentando uma publicação que abriu caminhos para a imprensa da época, abordando temas polêmicos naqueles dias, como racismo, aborto, drogas e prostituição.

ATENTADOS: AS FACES DO TERROR
Direção: Stéphane Bentura
França, 95′, 2016, 16 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Buscando compreender as razões que levaram aos atentados contra o semanário “Charlie Hebdo”, o mercado Hyper Cacher, em janeiro de 2015, e a casa de shows Bataclan, em novembro do mesmo ano, examinam-se as trajetórias de alguns de seus perpetradores. Retraçando sua história e ouvindo seus familiares, conhecidos, professores e especialistas, além de recorrer a materiais de arquivo, busca-se identificar os pontos de ruptura que levam à alienação destes renegados da sociedade.

CHICAGO BOYS
Direção: Carola Fuentes, Rafael Valdeavellano
Chile, 96′, 2015, 12 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Responsáveis pelo modelo econômico ultraliberal instalado no Chile na ditadura Augusto Pinochet (1973-1990), os chamados “Chicago Boys” – economistas formados na Universidade de Chicago – recontam sua formação. São entrevistados Rolf Lüders e Sergio de Castro, ministros de Pinochet; Ernesto Fontaine, colaborador do regime militar e formador de economistas; Carlos Massad, ex-presidente do Banco Central e ministro do governo Eduardo Frei; e Ricardo Ffrench-Davis, a voz mais crítica sobre as práticas neoliberais no Chile.

CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO
Direção: Vladimir Carvalho
Brasil-DF, 79′, 2016, 14 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Pintor pernambucano ligado aos modernistas, Cícero Dias (1907-2003) radicou-se em Paris a partir de 1937, fugindo à perseguição política do Estado Novo. Apesar da distância do país natal, ele nunca perdeu de vista as cores e os sons de sua infância, na casa de Jundiá, mesclando essas raízes com a convivência com nomes de ponta das vanguardas europeias, como Pablo Picasso, Fernand Léger e Joan Miró. Dessa troca de influências, nasceu um pintor de repercussão internacional, que transformou toda sua vivência, inclusive sua reclusão durante a II Guerra, em base de uma arte que atravessa fronteiras.

O FUTEBOL
Direção: Sergio Oksman
Brasil, Espanha, 70’, 2015, Livre
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Sergio e seu pai, Simão, não se viram ao longo de 20 anos. A realização da Copa de 2014 no Brasil fornece ao filho, que mora na Espanha, um pretexto para conviver algum tempo com o pai, retomando seu antigo hábito de assistirem a jogos juntos, mantido quando o filho era garoto. À medida que ambos se reaproximam, suas conversas os levam ao encontro do passado e das questões deixadas em aberto pela distância. Correndo em paralelo com os jogos da Copa, seus encontros deixam claro que algo escapou do plano inicial. E que esta viagem poderá trazer, mais do que reconciliação, uma exploração em território desconhecido.

UM CASO DE FAMÍLIA
Direção: Tom Fassaert
Holanda, Bélgica, Dinamarca, 116’, 2015, 12 anos
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Para o cineasta Tom Fassaert, sua avó paterna, Marianne Hertz, sempre foi um mistério. Ele a conheceu por contatos esparsos e, particularmente, pelas histórias negativas que seu pai, Rob, sempre lhe contou sobre ela – como a de que sua mãe era uma mulher fatal, devoradora de homens, que pôs os filhos num orfanato e abandonou a família para viver na África do Sul. Quando Tom completa 30 anos, recebe um inesperado convite da avó para visitá-la. Decide, então, que esta será uma excelente oportunidade para confrontar os diferentes mitos em torno dela e dar-lhe a chance de contar diante da câmera sua própria versão dos fatos.

O Futebol.
O Futebol.

Serviço: É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Data: De 5 a 8 de maio
Local: Espaço Itaú de Cinema – Shopping CasaPark (SGCV, s/n – 3A – Guará)
Entrada franca
97 lugares.

O início do Fim da História: Billy Elliot e a morte da classe operária

A sequência final de Billy Elliot (Dir: Stephen Daldry,1998, UK) é vista por muita gente como a conclusão de uma história de vitória e superação. O pequeno Billy, oriundo da uma família operária inglesa, rompe todas as barreiras de classe e preconceito, e se transforma, aparentemente, num bailarino de sucesso. A cena que mostra os bailarinos na coxia correndo para olhar a entrada triunfal de Billy no palco mostra, através de seus olhares de admiração, a grandeza do personagem. No entanto, para mim ela sempre sinalizou a ambivalência inconciliável de um drama muito mais complexo e muito menos feliz.

Nessa sequência, o pai de Billy e Tony, o irmão mais velho, vão a Londres ver uma exibição de Billy, já adulto e, ao que parece, o protagonista da peça. Essa é uma sequência ambivalente porque, de um lado, eles representam a decadência da classe operária inglesa e do trabalhismo de esquerda, esmagados pela Margareth Thatcher na greve de 1984, evento no qual o filme é ambientado.

Essa greve marcou a destruição do último front de resistência sindical, e abriu o caminho para a vitória final do neoliberalismo na Inglaterra, o mesmo modelo que seria exportado para o resto do mundo. A destruição da esquerda operária foi vista como a confirmação do lema thatcheriano neoliberal TINA (“There Is No Alternative!”). É o início do Fim da História.

Esse momento marca um golpe muito forte na ideia de que a saída para os problemas sociais era a luta coletiva. A sequência em que Tony foge da polícia entrando e saindo da casa das pessoas do bairro operário, e contando com a ajuda delas, mostra um pouco dessas formas de luta, confronto e solidariedade da classe trabalhadora. E é muito significativo nessa sequência que Billy assista toda a cena de cima do muro, de um ponto de vista privilegiado e seguro, enquanto seu irmão apanha da polícia, tendo “London Calling”, do The Clash, como trilha.

A cena do pai de Billy e Tony sentados no teatro, envelhecidos e deslocados, num ambiente que pertence a uma outra classe, evoca uma certa nostalgia e também a derrota. Os dois representam o passado, são fósseis da classe operária que não existe mais, personificam formas de luta que, naquele momento, pareciam extintas. E embora carreguem o peso da derrota, ao mesmo tempo eles parecem felizes porque Billy encontrou seu caminho.

Por outro lado, Billy, tal como eu entendo esse filme, é o reverso dessa moeda. Ou seja, ele sinaliza a vitória do individualismo do neoliberalismo. Ele escapou do infortúnio da sua classe através dos mecanismos da meritocracia e do talento pessoal. Ele era um sujeito com um talento excepcional e com isso encontrou uma via de saída da reprodução da vida operária. Diferente do seu irmão, ele não repetiria a vida de seu pai.

Todo o conflito do filme, na verdade, é uma dramatização de um processo de ruptura do destino de classe. A resistência do pai em aceitar um filho bailarino, bastante misturada com o preconceito machista contra uma arte associada ao feminino, é uma tentativa de evitar que ele abandone sua classe e também os valores associados a ela.

A cena mais dramática do filme, por exemplo, é exatamente aquela que marca o momento em que o pai, talvez vislumbrando a derrota histórica da classe operária, resolve furar a greve para conseguir dinheiro para que Billy possa participar da seleção do Royal Ballet School. Tony, uma espécie de anti-herói que desde o início do filme antagoniza com Billy, impede a traição do pai. Enquanto os dois se abraçam na porta da mina, o pai se justifica dizendo que é preciso dar uma chance a Billy de escapar daquela vida. Mas, ao fim e ao cabo, é a solidariedade da classe operária que o salva. É a comunidade dos trabalhadores que se mobiliza em plena greve para conseguir o dinheiro que a família de Billy precisa.

A ambivalência da sequência final de Billy Elliot tem a ver com essa disjunção dos destinos. De um lado há a derrota do sonho coletivo da classe operária e, ao mesmo tempo, a vitória do indivíduo e do talento pessoal de Billy, que de outra forma estaria condenado a mesma derrota que seu pai e seu irmão representam.

Por fim, não acho que a sequência final baseada na presença de Billy em O Lago do Cisne, seja casual. Essa é uma história de dor, maldição, traição e amor no qual o final feliz de Odette é a reconciliação na morte com Siegfried, depois de sua traição. E isso, para mim, sinaliza qual é o horizonte de leitura do filme. Não é, como muita gente interpreta, a história do progresso e ascensão de um sujeito excepcional, mas sim uma bela história trágica cuja a aparente vitória do indivíduo é também uma narrativa sobre a derrota, da morte de uma classe e do fim da busca de uma alternativa coletiva para os problemas da sociedade.

Star Wars, em 1983

O que a crítica dizia sobre Star Wars em 1983?

IEH | Leituras da semana (23 a 25/11)

Olá pessoal,

Eis as leituras da semana. Há uma mudança no dia 25/11 por conta das nossas discussões em sala.

23/11 Robert A Rosenstone. “Documentário”, in A história nos filmes, os filmes na história, Ed. Paz e Terra, São Paulo, 2010. pp.109­-134.

25/11 Susan Sontag, “Parte 5”. Diante da dor dos outros, Cia das Letras, São Paulo, 2003, pp. 64-86. Na versão em pdf, o trecho encontra-se entre as páginas 32 a 39.