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Teoria da História | Entrevista Edward Said

Olá gents,

Estou disponibilizando uma entrevista com Edward Said, autor do próximo texto que leremos na turma de Teoria da História. Mas sugiro que todos os interessados no tema das formas de representação vejam a entrevista. Nela, Said explica um pouco da sua obra, de suas motivações e ajuda a contextualizar a discussão que seu mais famoso livro – “Orientalismo. O Oriente como invenção do Ocidente” – provocou.

Debate: Impasses da Democracia no Brasil

Senhoras e senhores,

Disponibilizo o vídeo de um interessante debate sobre a crise no Brasil, que aconteceu no IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – semana passada. Paticipam Leonardo Avritzer, cientista político da UFMG, Jessé de Souza, sociólogo e Presidente do IPEA, e Marisa von Bulow, cientista política da UnB.

Há uma interessante reflexão sobre o rearranjo do pacto político brasileiro, além de reflexões sobre o contexto global no qual essa crise se desenrola.

Foucault contra Chomsky

Em época de Super-Homem contra Batman e Capitão América contra Homem de Ferro, sugiro que vejam um interessante debate entre dois gigantes intelectuais com duas perspectivas filosóficas absolutamente díspares mas igualmente importantes.

No fragmento abaixo, creio que se encontra o centro da discórdia entre os dois. Foucault, um pensador da historicidade, anti-essencialista, anti-fundacionista se opõe a posição de Chomsky, um linguísta que encara a linguagem no quadro da ciência, que crê na idéia de natureza humana.

É um exemplo do que temos discutido em sala sobre o embate entre a busca do particular (que é próprio da história) e de leis universais (que é próprio das ciências da natureza e, em certa medida, das ciências sociais).

Festival de Documentários em Brasília

Quisera eu ter tempo de ir ao cinema… mas para quem pode, o festival “É tudo verdade” é imperdível.

Cicero Dias, de Vladimir Carvalho. Divulgação.
Cicero Dias, o Compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho. Divulgação.

O É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários vai de 5 a 8 de maio no Espaço Itaú de Cinema, com sessões gratuitas. A programação traz a exibição dos filmes vencedores da competição brasileira e da internacional e uma seleção com seis títulos das diversas mostras do festival.“Brasília honra-nos com a mais antiga itinerância do É Tudo Verdade, realizada desta vez com a parceria do Espaço Itaú de Cinema”, afirma o crítico Amir Labaki, criador e diretor do festival. O público brasiliense, segundo Labaki, terá o privilégio de assistir em primeira mão a alguns dos mais instigantes documentários brasileiros e internacionais, antes mesmo da estreia mundial. Será uma rara oportunidade de se manter atualizado, pois a maior parte dos filmes não terá exibição comercial no Brasil.

Um dos destaques da programação, que integra a competição nacional, é o documentário “Cícero Dias, o Compadre de Picasso”, do prestigiado diretor Vladimir Carvalho, que resgata o período em que o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003) viveu em Paris, durante a ditadura Vargas, onde conheceu e se tornou amigo do catalão Pablo Picasso, exilado do regime franquista.

Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.
Gabo la creación de Gabriel Garcia Marquez.

Outra ditadura, agora a de 1964, está presente no filme “Lampião da Esquina”, de Lívia
Perez, integrante da mostra O Estado das Coisas, sobre o trabalho de resistência desenvolvido por jornalistas, artistas e intelectuais brasileiros no jornal “O Lampião”, que retratava o ponto de vista dos homossexuais em questões políticas e comportamentais, em pleno regime militar.Integrante da mostra Foco Latino-americano, o documentário “Gabo: a Criação de Gabriel García Márquez”, do britânico Justin Webster, explora a trajetória do escritor colombiano (1927-2014), prêmio Nobel de Literatura, buscando na infância do autor o material que alimentou sua obra premiada.

Um Caso de Família.
Um Caso de Família.


Programação:
05/05 quinta feira – sessão inaugural, aberta ao público
20h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min

06/05 sexta feira
16h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
18h30 – mostra COMPETIÇÃO BRASILEIRA – LONGAS / Cícero Dias, o Compadre de Picasso /VLADIMIR CARVALHO /BRASIL / 79min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO BRASILEIRA LONGAS OU MÉDIAS METRAGENS / O Futebol / SERGIO OKSMAN / BRASIL, ESPANHA / 70min

07/05 sábado
16h30 – COMPETIÇÃO INTERNACIONAL – LONGAS / Chicago Boys / CAROLA FUENTES, RAFAEL VALDEAVELLANO / CHILE / 96min
18h30 – mostra FOCO LATINO / Gabo: a Criação de Gabriel Gárcia Márquez / JUSTIN WEBSTER /ESPANHA / 90min
20h30 – VENCEDOR COMPETIÇÃO INTERNACIONAL LONGAS / Um Caso de Família / TOM FASSAERT /HOLANDA, BÉLGICA, DINAMARCA /116min
08/05 domingo
16h30 – mostra CINEMA OLYMPIA / CINE OLYMPIA / Os Campeões de Hitler / JEAN-CHRISTOPHE ROSÉ / FRANÇA / 102min
18h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Lampião da Esquina / LÍVIA PEREZ / BRASIL / 82min
20h30 – mostra O ESTADO DAS COISAS / Atentados: As Faces do Terror / STÉPHANE BENTURA /FRANÇA / 95min

Sinopses:

GABO: A CRIAÇÃO DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
Direção: Justin Webster
Espanha, 90′, 2015, 10 anos
MOSTRA FOCO LATINO-AMERICANO
O documentário do britânico Justin Webster explora os caminhos inseparáveis da vida e da obra do escritor Gabriel García Márquez (1927-2014), especulando como o menino nascido num obscuro vilarejo colombiano, Aracataca, transforma-se em jornalista e escritor vencedor do Nobel de Literatura. Usando suas memórias infantis como matéria-prima de uma sensibilidade mágica, ancorada num constante engajamento político e social, Márquez incendiou a imaginação de milhões de leitores nos quatro cantos do mundo.

OS CAMPEÕES DE HITLER
Direção: Jean-Christophe Rosé
França, 102′, 2015, 12 anos
MOSTRA CINEMA OLYMPIA
Assim que tomaram o poder, os nazistas converteram o esporte num dos mais eficazes
instrumentos de propaganda de seu objetivo de criação de “um novo homem”. Atletas
alemães foram pressionados a quebrar todos os recordes, em nome de anunciar ao mundo a superioridade ariana. O ponto alto seriam as Olimpíadas de Berlim, em 1936, mas ali mesmo a falácia começa a ruir.

LAMPIÃO DA ESQUINA
Direção: Lívia Perez
Brasil-SP, 82′, 2016, 18 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Inspirado no jornal norte-americano “Gay Sunshine”, surgiu no Brasil, em abril de 1978, em plena ditadura, o jornal “O Lampião”, retratando o ponto de vista dos homossexuais sobre diversas questões, inclusive a sexualidade. Um grupo de jornalistas e escritores do Rio e de São Paulo se uniram em torno do projeto, alimentando uma publicação que abriu caminhos para a imprensa da época, abordando temas polêmicos naqueles dias, como racismo, aborto, drogas e prostituição.

ATENTADOS: AS FACES DO TERROR
Direção: Stéphane Bentura
França, 95′, 2016, 16 anos
MOSTRA O ESTADO DAS COISAS
Buscando compreender as razões que levaram aos atentados contra o semanário “Charlie Hebdo”, o mercado Hyper Cacher, em janeiro de 2015, e a casa de shows Bataclan, em novembro do mesmo ano, examinam-se as trajetórias de alguns de seus perpetradores. Retraçando sua história e ouvindo seus familiares, conhecidos, professores e especialistas, além de recorrer a materiais de arquivo, busca-se identificar os pontos de ruptura que levam à alienação destes renegados da sociedade.

CHICAGO BOYS
Direção: Carola Fuentes, Rafael Valdeavellano
Chile, 96′, 2015, 12 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Responsáveis pelo modelo econômico ultraliberal instalado no Chile na ditadura Augusto Pinochet (1973-1990), os chamados “Chicago Boys” – economistas formados na Universidade de Chicago – recontam sua formação. São entrevistados Rolf Lüders e Sergio de Castro, ministros de Pinochet; Ernesto Fontaine, colaborador do regime militar e formador de economistas; Carlos Massad, ex-presidente do Banco Central e ministro do governo Eduardo Frei; e Ricardo Ffrench-Davis, a voz mais crítica sobre as práticas neoliberais no Chile.

CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO
Direção: Vladimir Carvalho
Brasil-DF, 79′, 2016, 14 anos
MOSTRA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Pintor pernambucano ligado aos modernistas, Cícero Dias (1907-2003) radicou-se em Paris a partir de 1937, fugindo à perseguição política do Estado Novo. Apesar da distância do país natal, ele nunca perdeu de vista as cores e os sons de sua infância, na casa de Jundiá, mesclando essas raízes com a convivência com nomes de ponta das vanguardas europeias, como Pablo Picasso, Fernand Léger e Joan Miró. Dessa troca de influências, nasceu um pintor de repercussão internacional, que transformou toda sua vivência, inclusive sua reclusão durante a II Guerra, em base de uma arte que atravessa fronteiras.

O FUTEBOL
Direção: Sergio Oksman
Brasil, Espanha, 70’, 2015, Livre
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Sergio e seu pai, Simão, não se viram ao longo de 20 anos. A realização da Copa de 2014 no Brasil fornece ao filho, que mora na Espanha, um pretexto para conviver algum tempo com o pai, retomando seu antigo hábito de assistirem a jogos juntos, mantido quando o filho era garoto. À medida que ambos se reaproximam, suas conversas os levam ao encontro do passado e das questões deixadas em aberto pela distância. Correndo em paralelo com os jogos da Copa, seus encontros deixam claro que algo escapou do plano inicial. E que esta viagem poderá trazer, mais do que reconciliação, uma exploração em território desconhecido.

UM CASO DE FAMÍLIA
Direção: Tom Fassaert
Holanda, Bélgica, Dinamarca, 116’, 2015, 12 anos
VENCEDOR DA COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS-METRAGENS
Para o cineasta Tom Fassaert, sua avó paterna, Marianne Hertz, sempre foi um mistério. Ele a conheceu por contatos esparsos e, particularmente, pelas histórias negativas que seu pai, Rob, sempre lhe contou sobre ela – como a de que sua mãe era uma mulher fatal, devoradora de homens, que pôs os filhos num orfanato e abandonou a família para viver na África do Sul. Quando Tom completa 30 anos, recebe um inesperado convite da avó para visitá-la. Decide, então, que esta será uma excelente oportunidade para confrontar os diferentes mitos em torno dela e dar-lhe a chance de contar diante da câmera sua própria versão dos fatos.

O Futebol.
O Futebol.

Serviço: É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Data: De 5 a 8 de maio
Local: Espaço Itaú de Cinema – Shopping CasaPark (SGCV, s/n – 3A – Guará)
Entrada franca
97 lugares.

Entrevista | José Carlos Reis

Olá pessoal,

Eis uma entrevista de José Carlos Reis, autor de dois textos da nossa bibliografia.

O avanço do Fascismo| Renaissanse

Para quem lê em inglês, esse é um pequeno documentário sobre o avanço do fascismo na Letônia. Em muitos países há um aumento da presença pública da extrema direita, e em cada país ela assume uma face diferente, de acordo com as tradições de direita de cada país.

https://rtd.rt.com/films/renaissanse/embed/

Renaissanse:
Aleksandr Panov

70 years ago Europe was severely threatened by Fascism, but is the continent now witnessing a nationalist renaissance? One former Latvian Waffen SS fighter openly presents his perspective on the situation, while survivors from Salaspils, a concentration camp in Latvia, are disturbed and terrified by recent events, sharing their heartbreaking memories. Salaspils is a dark page in human history, in history of Latvia, perhaps that’s why so many seem to be trying to rewrite it.

During the events of the war, Latvia saw the coming of soldiers from both Germany and the Soviet Union. However, opinions there vary on who were the true “liberators”.

One of the most chilling reminders of the Nazi occupation is the remnants of the Salaspils concentration camp. Official Latvian history claims that it was a work education camp, but the words of the Salaspils survivors tell a different story – One of nightmare and death. Forensic evidence does prove that thousands of people died within the walls of Salaspils. We hear from several such survivors, who were but children back then, as they tell about their time there.

Nazi occupation of Latvia also resulted in the formation of Latvian soldiers into the Waffen SS, Nazi-aligned military units. We meet one of the last, if not the very last, of these soldiers remaining in Latvia. He unabashedly tells a very different story than that of the Salaspils survivors. In our story, he represents those Latvians who looked favorably upon the Germans, believing that they would free Latvia from the “barbaric” Soviet occupation.

Many critics find flawed logic in this new generation of fascists and neo-Nazi groups in Europe, seeing as they were born in the modern age, and didn’t experience the war themselves. A great deal of people also believe that the Latvian government is turning a blind eye to what occurred there during WWII.

O início do Fim da História: Billy Elliot e a morte da classe operária

A sequência final de Billy Elliot (Dir: Stephen Daldry,1998, UK) é vista por muita gente como a conclusão de uma história de vitória e superação. O pequeno Billy, oriundo da uma família operária inglesa, rompe todas as barreiras de classe e preconceito, e se transforma, aparentemente, num bailarino de sucesso. A cena que mostra os bailarinos na coxia correndo para olhar a entrada triunfal de Billy no palco mostra, através de seus olhares de admiração, a grandeza do personagem. No entanto, para mim ela sempre sinalizou a ambivalência inconciliável de um drama muito mais complexo e muito menos feliz.

Nessa sequência, o pai de Billy e Tony, o irmão mais velho, vão a Londres ver uma exibição de Billy, já adulto e, ao que parece, o protagonista da peça. Essa é uma sequência ambivalente porque, de um lado, eles representam a decadência da classe operária inglesa e do trabalhismo de esquerda, esmagados pela Margareth Thatcher na greve de 1984, evento no qual o filme é ambientado.

Essa greve marcou a destruição do último front de resistência sindical, e abriu o caminho para a vitória final do neoliberalismo na Inglaterra, o mesmo modelo que seria exportado para o resto do mundo. A destruição da esquerda operária foi vista como a confirmação do lema thatcheriano neoliberal TINA (“There Is No Alternative!”). É o início do Fim da História.

Esse momento marca um golpe muito forte na ideia de que a saída para os problemas sociais era a luta coletiva. A sequência em que Tony foge da polícia entrando e saindo da casa das pessoas do bairro operário, e contando com a ajuda delas, mostra um pouco dessas formas de luta, confronto e solidariedade da classe trabalhadora. E é muito significativo nessa sequência que Billy assista toda a cena de cima do muro, de um ponto de vista privilegiado e seguro, enquanto seu irmão apanha da polícia, tendo “London Calling”, do The Clash, como trilha.

A cena do pai de Billy e Tony sentados no teatro, envelhecidos e deslocados, num ambiente que pertence a uma outra classe, evoca uma certa nostalgia e também a derrota. Os dois representam o passado, são fósseis da classe operária que não existe mais, personificam formas de luta que, naquele momento, pareciam extintas. E embora carreguem o peso da derrota, ao mesmo tempo eles parecem felizes porque Billy encontrou seu caminho.

Por outro lado, Billy, tal como eu entendo esse filme, é o reverso dessa moeda. Ou seja, ele sinaliza a vitória do individualismo do neoliberalismo. Ele escapou do infortúnio da sua classe através dos mecanismos da meritocracia e do talento pessoal. Ele era um sujeito com um talento excepcional e com isso encontrou uma via de saída da reprodução da vida operária. Diferente do seu irmão, ele não repetiria a vida de seu pai.

Todo o conflito do filme, na verdade, é uma dramatização de um processo de ruptura do destino de classe. A resistência do pai em aceitar um filho bailarino, bastante misturada com o preconceito machista contra uma arte associada ao feminino, é uma tentativa de evitar que ele abandone sua classe e também os valores associados a ela.

A cena mais dramática do filme, por exemplo, é exatamente aquela que marca o momento em que o pai, talvez vislumbrando a derrota histórica da classe operária, resolve furar a greve para conseguir dinheiro para que Billy possa participar da seleção do Royal Ballet School. Tony, uma espécie de anti-herói que desde o início do filme antagoniza com Billy, impede a traição do pai. Enquanto os dois se abraçam na porta da mina, o pai se justifica dizendo que é preciso dar uma chance a Billy de escapar daquela vida. Mas, ao fim e ao cabo, é a solidariedade da classe operária que o salva. É a comunidade dos trabalhadores que se mobiliza em plena greve para conseguir o dinheiro que a família de Billy precisa.

A ambivalência da sequência final de Billy Elliot tem a ver com essa disjunção dos destinos. De um lado há a derrota do sonho coletivo da classe operária e, ao mesmo tempo, a vitória do indivíduo e do talento pessoal de Billy, que de outra forma estaria condenado a mesma derrota que seu pai e seu irmão representam.

Por fim, não acho que a sequência final baseada na presença de Billy em O Lago do Cisne, seja casual. Essa é uma história de dor, maldição, traição e amor no qual o final feliz de Odette é a reconciliação na morte com Siegfried, depois de sua traição. E isso, para mim, sinaliza qual é o horizonte de leitura do filme. Não é, como muita gente interpreta, a história do progresso e ascensão de um sujeito excepcional, mas sim uma bela história trágica cuja a aparente vitória do indivíduo é também uma narrativa sobre a derrota, da morte de uma classe e do fim da busca de uma alternativa coletiva para os problemas da sociedade.