Monthly Archives: January 2016

Design e ideologia: duas edições de “Mein Kampf”

ifz-edition-mein-kampf-100-_v-img__16__9__l_-1dc0e8f74459dd04c91a0d45af4972b9069f1135Nos dois últimos meses os jornais têm publicado diversas matérias sobre a reedição do livro de Adolf Hitler, Mein Kampf. Os direitos de publicação pertenciam ao Estado da Bavaria, na Alemanha, que costumava colocar obstáculos a editoras interessadas em sua publicação. Mas o livro entrou em domínio público a partir do dia 1º de Janeiro de 2016, o que gerou diversos debates sobre se ele deveria ser republicada ou não.

Na Alemanha, o Institut für Zeitgeschichte (Instituto de História Contemporânea) havia anunciado já no ano passado, a publicação de uma edição crítica da obra. Ela conteria notas explicativas e ensaios que a contextualizaria. O livro foi lançado no dia 16 de janeiro, e a primeira edição com 14 mil exemplares esgotou-se em poucas horas.

Alguns editores mais importantes do mercado editorial brasileiro se colocaram contra a publicação da obra no país. Um dos editores da Companhia das Letras, por exemplo, chegou a dizer que não queria ter o livro de Hitler no seu currículo. No entanto, duas editoras anunciaram a publicação: a Geração Editorial e a Centauro.

O projeto da Geração Editorial prevê uma edição com notas da versão norte-americana de 1939, e dois ensaios escritos por historiadores. Segundo a editora, o livro será lançado em março de 2016. Já a Editora Centauro, que havia lançado o livro anos atrás mas tinha sido obrigada a recolhê-lo por violação de direitos autorais, já começou a comercializá-lo. No entanto, as principais livrarias do Brasil resolveram não comercializar o livro por não conter nenhum elemento de contextualização, o que é lamentável e suspeito.

Embora diferentes editoras possam ter posições diferentes sobre se o livro deveria ser publicado ou não, o fato é que o livro já estava disponível e circulava de forma mais ou menos aberta na internet e fora dela. Ou seja, o livro já circulava e circulará ainda mais após sua entrada em domínio público. A estratégia da censura ou da ignorância do livro não nos poupará do fato de que o livro existe e será lido. Talvez o único papel que nos caiba seja o de proporcionar subsídios para que seus leitores possam fazer interpretações mais bem informadas.

Um fator muito importante nesse momento é a escolha que as editoras fazem ao colocar o livro nas mãos do público. Isto é, como, e partir de que preocupações, o livro é remodelado para entrar em circulação? Nesse sentido, as opções feitas pela IfZ, a editora alemã, e as editoras brasileiras mostram radicais diferenças nas formas de se relacionar com a obra, produzir o objeto e promover o livro.

A IfZ destituiu o livro de todos os elementos simbólicos que fossem capazes de gerar qualquer atração ambígua. Não há absolutamente nenhum elemento pictórico que remeta ao nazismo. O livro tem uma tipologia neutra e uma capa em cores neutras, seguindo a tradição de livros acadêmicos de referência do país. E o título é algo como Hitler, Mein Kampf. Uma edição crítica. Ou seja, além de destituir a capa do livro de elementos gráficos que pudessem remeter ao nazismo, a editora também destituiu Hitler do lugar de autor. A obra em questão não é Mein Kampf, de Adolf Hitler, simplesmente. Trata-se agora de uma edição crítica da obra escrita por Hitler. E nessa obra o autor passa a ser objeto de análise, e não é mais um sujeito que fala sozinho.

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Além disso, o livro tem 28×21 cm e dois tomos com 1000 páginas em cada um. Ele tem dimensões relativamente grandes. Como objeto, não tem leveza alguma. É volumoso e pesado. Não é um livro que se carrega na bolsa, e a leitura requererá provavelmente algum apoio. Ou seja, não é um livro para diversão, que se leia no metrô ou no parque. Para lê-lo é preciso sentar, mobilizar tempo, atenção e enfrentar o texto original repleto de intervenções, afinal ele tem mais de 15 mil notas explicativas, segundo o editor.

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Com esse tratamento, a editora intervém de forma estratégica nas formas de relação com o livro e de sua circulação. Por conta de suas características gráficas (o formato) e editoriais (as notas de rodapé e os ensaios de críticos) dificilmente a edição alemã de Mein Kampf se tornará objeto de culto dos simpatizantes do nazismo.

O tratamento da Geração Editorial é bastante diferente e, em alguns aspectos, é oposto. As capas dos livros dessa editora lembram as capas de revistas semanais e tablóides. Elas são excessivamente carregadas, muitas vezes com um apelo sensacionalista. Parte de sua linha editorial explora justamente escândalos políticos. E, não raro, suas capas têm a fotografia de um político contraposta a um título elaborado ao modo de uma manchete jornalística bombástica.

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A edição de Mein Kampf da editora brasileira começará a ser comercializada em março, mas a capa já circula nas redes sociais. E a estratégia de capa é simetricamente oposta a da editora alemã. Nela vemos uma suástica ao fundo, o selo do Partido Nazista centralizado entre o título e o logo da editora, e uma fotografia bastante digna do próprio Hitler em primeiro plano. A capa ainda tem uma tonalidade ostensivamente apelativa em azul/verde e alaranjado, a paleta de cores que lembra os filmes apocalípticos do diretor Michael Bay, como Armagedon ou Transformers. Além disso, mantém Hitler como autor.

A Geração Editorial escolheu promover o livro apelando para a força das imagens do nazismo. Essa era uma estratégia de propaganda do próprio nazismo. Muito de seu apelo popular veio justamente do modo de exibição ostensiva de seus símbolos e imagens. Essa estética do nazismo, por sua vez, permite um vínculo muito ambivalente capaz de mover tanto o crítico do nazismo como o simpatizante. Com isso não quero dizer nem remotamente que a editora seja simpática ao nazismo. Não há dúvida alguma de que ela não é. Mas ela aposta numa ambiguidade em relação às imagens e símbolos que moldam o objeto, que a edição alemã fez questão de eliminar por boas e conhecidas razões, inclusive — ou sobretudo — razões de ordem ideológica.

Embora a editora tenha anunciado dois textos críticos acompanhando a obra, e notas de rodapé, é possível imaginar simpatizantes tirando selfies com o livro e o promovendo nas redes sociais não porque o livro foi publicado ou porque ele simplesmente existe. Mas porque as escolhas gráficas e editoriais permitem que os simpatizantes estabeleçam uma relação de empatia com o objeto. Obviamente não é papel do editor ensinar aos leitores como o livro deve ser lido, interpretado ou usado. Mas, as lições da edição alemã mostram que o editor pode diminuir a possibilidade de usos indesejados dos objetos que coloca em circulação.

A coragem da editora Geração Editorial em publicar o livro deve ser destacada. Eu sou favor da sua publicação, mas gostaria de ter visto um trabalho mais rigoroso e correto do ponto de vista gráfico, assim como um maior investimento do ponto de vista editorial. Os textos que acompanharão o livro certamente serão importantes. Mas não vejo razão, por exemplo, para que ela tenha notas que datam de 1939 por me parecerem muito defasadas. Elas foram elaboradas muito tempo antes do mundo tomar conhecimento da extensão do mal promovido pelo seu autor. E muito tempo antes dos principais estudos que existem hoje sobre Hitler e o nazismo. Essa publicação poderia ser a oportunidade de reunir uma comunidade de especialistas que pudesse proporcionar uma abordagem mais rica e mais complexa sobre a obra, e com isso termos no Brasil uma edição crítica de referência.

Pensar o extremismo islâmico

Uma das discussões mais complexas atualmente é certamente a questão do extremismo islâmico. Desde os ataques de 11 de Setembro esse é um tema de crescente interesse acadêmico, político e social.

Do lado Ocidental, há uma tremenda ignorância sobre a extensão do Islã, da sua diversidade política, intelectual, e das diferentes tradições religiosas no interior do próprio Islã. Por conta disso, muitas vezes nossas reações e percepções sobre o que está acontecendo é bastante empobrecida pela má qualidade do jornalismo, que é a principal e a mais comum fonte de informação sobre o tema.

Em muitos países, especialmente na Europa,  cada vez mais pessoas estão aderindo a movimentos reativos que alimentam e gerenciam o medo instalado. Alguns deles são declaradamente xenófobos, racistas e fascistas. Há hoje uma esfera bastante influente de debate na internet ditada pela percepção dos movimentos da extrema direita. Alguns deles produzindo seus próprios extremistas anti-islâmicos, como foi o caso de Anders Breivik, o norueguês que matou 77 pessoas em Oslo em 2011. Suas ações foram justificadas como uma batalha na guerra contra o Islã, cujas ações foram inspiradas pelo tom de beligerante estabelecido pela blogosfera extremista.

Do lado do Islã, por sua vez, há também uma crescente onda de extremismo deflagrada pós 11 de Setembro, alimentada pelas guerras do Iraque e Afeganistão, e que foi renovada nos últimos dois anos com a expansão do assim chamado Estado Islâmico. Os múltiplos ataques em Paris, em novembro de 2015, que deixou mais 137 pessoas, por exemplo, são resultado direto da política de terror do EI. Mas também muitos indivíduos sem conexão direta, mas inspirados pelo EI, revolveram agir por conta própria. O atentado de San Bernardino, na Califórnia, no qual um casal islâmico matou 14 pessoas, talvez tenha sido o último caso de grandes proporções.

O aumento da migração árabe para a Europa devido a decomposição da Síria tem colaborado ainda mais para aumento da tensão. Por enquanto, nós no Brasil estamos longe do front desses acontecimentos. O que talvez nos dê uma oportunidade de compreender de maneira menos reativa, e menos baseada no medo, os desafios que esse problema coloca. Como compreender esse problema sem aderir ao discurso do ódio? Como contextualizar a violência islâmica no presente sem fazer concessões a visão problemática – para dizer o mínimo – dessa religião em relação diversos comportamentos e valores democráticos a que ela claramente se opõe?

Estou disponibilizando abaixo dois vídeos que dão elementos para pensar sobre essas questões. O primeiro deles, The Jihadis next door, é um programa do Channel 4 da Inglaterra, que foi ao ar dia 19 de janeiro de 2016, sobre o grupos islâmicos extremistas no país. A equipe da TV acompanha durante meses as ações públicas de um grupo extremista tentando atrair adeptos. Um desafio que esse programa coloca, e essa é a razão de compartilhá-lo, é: como evitar odiar aquelas figuras? Ou ainda, como construir, nos marcos da democracia, um encaminhamento para o problema do extremismo e da violência sem devolver aos violentos a mesma violência que eles cultuam?

Tudo o que um extremista deseja é injetar mais violência na sociedade. E quando escutamos um extremista falar ele parece nos convidar também a odiá-lo. E isso mantém a espiral de ódio e violência em movimento. A saída da extrema direita é devolver o ódio e a violência, declarar guerra e caçar o inimigo. O desafio, portanto, é pensar em como sair dessa lógica de reprodução e escalada de violência.

O segundo vídeo trata-se de um debate promovido por uma fundação norte-americana baseada em Nova York, chamada Intelligence Square. Quatro debatedores discutem o tema “É o Islã uma religião de paz?”. A favor argumentam  Zeba Khan e Maajid Nawaz. E contra argumentam Ayaan Hirsi Ali e Doulas Murray. Ao final o público vota no argumento que foi mais convincente.

O interessante do debate é compreender as duas visões em jogo. De um lado, pessoas que professam os islamismo tentando demonstrar a complexidade do problema, expondo a diversidade das tradições de pensamento e de concepções políticas do Islã. Do outro lado, porém, há dois debatedores que colocam questões muito pertinentes sobre os problemas internos da religião e sua forma de encarar o mundo.

Infelizmente os vídeos não têm legendas, mas quem compreende um pouco de inglês pode acompanhar sem grandes problemas.

Escravidão africana no Irã

The face of African slavery in Qajar Iran – in pictures

Anthropologist Pedram Khosronejad has embarked on a new and controversial topic in Iranian studies, developing a narrative on African slavery in Persia through archival photography, interviews and scattered text. Here he curates from his burgeoning collection

Denise Hassanzade Ajiri for Tehran Bureau
Qubad Il-khan Bakhtiari (right) and Hossein Il-khan Bakhtiari (left), sons of paramount Bakhtiar chief Il-khan Khosrow Zafar Bakhtiari, seated in a garden, probably in Isfahan, with their African slave, 1904. According to Khosronejad, this photo shows that slave ownership in Persia extended beyond the Qajar monarchy to tribal chiefs.
Qubad Il-khan Bakhtiari (right) and Hossein Il-khan Bakhtiari (left), sons of paramount Bakhtiar chief Il-khan Khosrow Zafar Bakhtiari, seated in a garden, probably in Isfahan, with their African slave, 1904. According to Khosronejad, this photo shows that slave ownership in Persia extended beyond the Qajar monarchy to tribal chiefs. Photograph: Institute for Iranian Contemporary Historical Studies, Tehran, Iran
African slaves in Iran during the Qajar era were often eunuchs. Their dress suggests that they belonged to the king or high-ranking members of his court. From right: Aqay-i ‘Almas khan, Aqay-i Bahram khan, Aqay-i Masrur, Aqay-i A Seyid Mustafa, Aqay-i Iqbal khan, and Aqay-i Yaqut khan (different person from other photo), 1880s
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African slaves in Iran during the Qajar era were often eunuchs. Their dress suggests that they belonged to the king or high-ranking members of his court. From right: Aqay-i ‘Almas khan, Aqay-i Bahram khan, Aqay-i Masrur, Aqay-i A Seyid Mustafa, Aqay-i Iqbal khan, and Aqay-i Yaqut khan (different person from other photo), 1880s Photograph: Modern Conflict Archive, London, UK

Despite its ancient roots, the topic of African slavery is rarely discussed or even acknowledged in Iran. This is partly because there has not been comprehensive research on either African slavery of the subsequent use of African domestic servants.

But there are photographs that offer glimpses, and these have been the focus of anthropologist Pedram Khosronejad for the past four years.

Slaves who were not eunuchs were sometimes assigned to the armies of the Qajar elites. The 14 pictured here belonged to Qajar prince Zell-e-Soltan, Ghameshlou, Isfahan, 1904.
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Slaves who were not eunuchs were sometimes assigned to the armies of the Qajar elites. The 14 pictured here belonged to Qajar prince Zell-e-Soltan, Ghameshlou, Isfahan, 1904. Photograph: Zell-e-Soltan/Modern Conflict Archive, London, UK

Khosronejad was recently appointed Farzaneh Family Scholar for Iranian and Persian Gulf Studies, a new programme at the Oklahoma State University. The topic of African slavery in Iran came to his attention in the late 1990s when he was working on a two-year ethnographic project in the Persian Gulf including the cities of Minab, Bandar Lengeh and Bashagard county in Hormozegan province. His studies of the traditional dress of black Iranians led him to the issue of slavery.

In this staged photo taken by Zell-e Soltan at his summer hunting palace near Isfahan, one of his African slaves holds his son. According to the caption, the infant (Iqbal) is the real son of the adult African slave, Haji Yaqut Khan, suggesting he wasn’t a eunuch and could father his own children. The caption says that Yaqut Khan is in his ethnic clothes (languteh), which was mainly worn by Africans outside of Iran, 1904.
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In this staged photo taken by Zell-e Soltan at his summer hunting palace near Isfahan, one of his African slaves holds his son. According to the caption, the infant (Iqbal) is the real son of the adult African slave, Haji Yaqut Khan, suggesting he wasn’t a eunuch and could father his own children. The caption says that Yaqut Khan is in his ethnic clothes (languteh), which was mainly worn by Africans outside of Iran, 1904. Photograph: Zell-e-Soltan/Modern Conflict Archive, London, UK
Kamran Afshar in the arms of his nanny, Naneh Sonbol Baji, and Haleh Afshar, standing behind a doll, in Tehran, 1940s. Sonbol Baji, who was of African extraction, was born in a harem and freed in childhood from the court of the last Qajar king, Ahmad Shah (1898-1930). She moved to the home of her future host family, the Afshars, where she grew up, married, and raised her son. She remained there until the end of her life.
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Kamran Afshar in the arms of his nanny, Naneh Sonbol Baji, and Haleh Afshar, standing behind a doll, in Tehran, 1940s. Sonbol Baji, who was of African extraction, was born in a harem and freed in childhood from the court of the last Qajar king, Ahmad Shah (1898-1930). She moved to the home of her future host family, the Afshars, where she grew up, married, and raised her son. She remained there until the end of her life. Photograph: Courtesy of Kamran Afshar

Later, in 2011, when Khosronejad was organising an event on Qajar photography and cinematography at the University of St Andrews, Scotland, he came across several photographs from the late 19th century of Africans living inside the harem of the monarch Nasser al-Din Shah (1831-1896).

Since then Khosronejad has been collecting photos that tell the story of African slaves and modern African domestics in Iran. His research has taken him to Iran, Spain, the United Kingdom and the United States, and he has sifted through several private archives including the personal collection of author Farhad Diba in Spain and the Archive of Modern Conflict in Holland Park, London. He has conducted dozens of interviews with Iranians including Haleh Afshar, the Iranian-born British baroness, who had African servants during the early 1950s and 1960s.

Shams al-Sho’ara (Abdulhossein Mirza Shams Molkara), seated, his son-in-law Amanullah Mirza Jahanbani (1869-1912) standing on the right, small boy wearing a hat (Mansour Mirza Jahanbani), other boy Azizollah, two little girls (Pouran Khanom Jahanbani, Touran Khanom Jahanbani), and an African slave girl, 1900s.
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Shams al-Sho’ara (Abdulhossein Mirza Shams Molkara), seated, his son-in-law Amanullah Mirza Jahanbani (1869-1912) standing on the right, small boy wearing a hat (Mansour Mirza Jahanbani), other boy Azizollah, two little girls (Pouran Khanom Jahanbani, Touran Khanom Jahanbani), and an African slave girl, 1900s. Photograph: Modern Conflict Archive, London, UK

So far Khosronejad has collected around 400 photos, which he is planning to gather in the first-of-its-kind visual analysis book on African domestic servants in Iran. He is also preparing several related exhibitions around the world.

The work is sensitive. “There are some Qajar families who have issues with the term ‘slave’,” Khosronejad explains. “They say what their families had were domestic servants and they were not treated as slaves. This might be correct, but slavery is slavery and we should be able to talk about it openly.”

In this photo taken and captioned by the king himelf, a group of his wives and eunuchs are shown inside the harem garden in one of the royal complexes in north Tehran, Shahrestanak. The five African slaves include two adults, probably Ethiopian, and three adolescents: Haji Bilal (the first adult African slave from the right), Maqrur Khan (the fourth adult African slave from the right), Ismail Khan (the first adolescent white slave from the right), Haji Rahim (the second white slave from the right, head of the harem slaves), 1883.
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In this photo taken and captioned by the king himelf, a group of his wives and eunuchs are shown inside the harem garden in one of the royal complexes in north Tehran, Shahrestanak. The five African slaves include two adults, probably Ethiopian, and three adolescents: Haji Bilal (the first adult African slave from the right), Maqrur Khan (the fourth adult African slave from the right), Ismail Khan (the first adolescent white slave from the right), Haji Rahim (the second white slave from the right, head of the harem slaves), 1883. Photograph: Nasser al-Din Shah/Photo Archive, Golestan Palace Museum, Tehran, Iran

The presentation of these photos is the first step toward what Khosronejad sees as a new methodology in the visual anthropology of modern Iran: “We have lots of visual materials that have research value. Some of them have been analysed by visual artists or historians but not anthropologists. We need to read these photos as texts and data for anthropological purposes.”

As part of his responsibilities at Oklahoma State University, Khosronejad and his team are developing a methodology for assessing photos and documentary films from an anthropological standpoint. “These visual materials bear information that cannot be found in texts,” he says. “Analysing them can help anthropologists advance their studies on Iran.”

This photo was probably taken by Masoud Mirza Zell-e-Soltan (1850-1918), governor of Isfahan (1872-1907), and the eldest son of Nasser al-Din Shah. Zell-e-Soltan’s son Bahram Mirza sits in the middle on a chair accompanied by two members of his court (Reza Qoli Khan, private secretary in the right and Aqabaji eunuch chief in the left) sitting on the right and eight African eunuchs. The design of the jacket and hat of the Africans slaves could be considered a type of ethnic segregation.
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This photo was probably taken by Masoud Mirza Zell-e-Soltan (1850-1918), governor of Isfahan (1872-1907), and the eldest son of Nasser al-Din Shah. Zell-e-Soltan’s son Bahram Mirza sits in the middle on a chair accompanied by two members of his court (Reza Qoli Khan, private secretary in the right and Aqabaji eunuch chief in the left) sitting on the right and eight African eunuchs. The design of the jacket and hat of the Africans slaves could be considered a type of ethnic segregation. Photograph: Farhad and Firouzeh Diba Collection of Qajar Photographs
Based on the caption written by Masoud Mirza Zell-e-Soltan, the photographer of this image was his chief slave, Aqabaji. In this picture four of Zell-e-Soltan’s adult African slaves are seen keeping an eye on his children, Chehel Sotun Palace, Isfahan. 1890s
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Based on the caption written by Masoud Mirza Zell-e-Soltan, the photographer of this image was his chief slave, Aqabaji. In this picture four of Zell-e-Soltan’s adult African slaves are seen keeping an eye on his children, Chehel Sotun Palace, Isfahan. 1890s Photograph: Aqa Suleyman Aqabaji/Modern Conflict Archive, London, UK
Gholam Hoseyn Mirza Masoud, one of Zell-e-Soltan’s sons, with his personal African slave, Julfa, Isfahan, 1880s
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Gholam Hoseyn Mirza Masoud, one of Zell-e-Soltan’s sons, with his personal African slave, Julfa, Isfahan, 1880s Photograph: Thooni Johannes/Institute for Iranian Contemporary Historical Studies, Tehran, Iran
Based on the captions of other photos from the same album written by Masoud Mirza Zell-e-Soltan, the photographer of this image is Zell-e-Soltan himself and the baby in the picture a granddaughter, probably Nim Taj Khanum (Lady Nim Taj), with her African slave, in Isfahan, 1890s. During the Qajar period babysitting and accompanying royal and aristocratic children to their classes were among the main duties of African slaves.
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Based on the captions of other photos from the same album written by Masoud Mirza Zell-e-Soltan, the photographer of this image is Zell-e-Soltan himself and the baby in the picture a granddaughter, probably Nim Taj Khanum (Lady Nim Taj), with her African slave, in Isfahan, 1890s. During the Qajar period babysitting and accompanying royal and aristocratic children to their classes were among the main duties of African slaves. Photograph: Zell-e-Soltan/Modern Conflict Archive, London, UK
Saeed was born in the 1930s to an African mother in the house of Abolhassan Diba (4 January 1894-16 April 1982), and sent to Europe by Diba to be trained as a chef. When he returned to Iran in the 1950s he began working at the Park Hotel. He left Iran before the Iranian Revolution of 1979 and since then his whereabouts are unknown. Pictured here during a wedding celebration, Tehran, 1954
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Saeed was born in the 1930s to an African mother in the house of Abolhassan Diba (4 January 1894-16 April 1982), and sent to Europe by Diba to be trained as a chef. When he returned to Iran in the 1950s he began working at the Park Hotel. He left Iran before the Iranian Revolution of 1979 and since then his whereabouts are unknown. Pictured here during a wedding celebration, Tehran, 1954 Photograph: Farhad and Firouzeh Diba Collection of Qajar Photographs
A young aristocrat posing next to her personal African eunuch.
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A young aristocrat posing next to her personal African eunuch. Photograph: Unknown photographer/Central Library, University of Tehran, Tehran, Iran
This 1895 photo was taken by one of the most important photographers of the Qajar era, Abdullah Qajar (1850-1909). In this rare photo, Nasser al-Din Shah is accompanied by his sons, members of court, and most of his favourite and influential slaves. There are 10 African eunuchs in the photo, among them Haji Firouz (the one wearing white and standing behind the king) who was one of the most trusted slaves of the king. Outside one of the royal tents, Norouz 1895 (Iranian New Year), possibly Shahrestanak, Tehran.
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This 1895 photo was taken by one of the most important photographers of the Qajar era, Abdullah Qajar (1850-1909). In this rare photo, Nasser al-Din Shah is accompanied by his sons, members of court, and most of his favourite and influential slaves. There are 10 African eunuchs in the photo, among them Haji Firouz (the one wearing white and standing behind the king) who was one of the most trusted slaves of the king. Outside one of the royal tents, Norouz 1895 (Iranian New Year), possibly Shahrestanak, Tehran. Photograph: Abdullah Qajar/Courtesy of Pedram Khosronejad/Modern Conflict Archive, London, UK
Muzaffar al-Din Mirza (Muzaffar al-Din Shah Qajar 1853-1907) accompanied by his entourage. Prince Muzaffar Mirza’s high-ranking African slave (khajeh) is standing on his right, possibly in Tabriz, Iran, 1880s.
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Muzaffar al-Din Mirza (Muzaffar al-Din Shah Qajar 1853-1907) accompanied by his entourage. Prince Muzaffar Mirza’s high-ranking African slave (khajeh) is standing on his right, possibly in Tabriz, Iran, 1880s. Photograph: Unknown court photographer/Central Library, University of Tehran, Tehran, Iran
Nasser al-Din Shah had a special interest in taking photos of his own slaves inside the harem. In this photo, 53 eunuch slaves of different ethnic backgrounds in their early childhood, had probably been recently sent from abroad to the local southern markets, and to the king’s harem. Among them four African boys (qolam bachehha), inside Nasser al-Din Shah’s harem, Golestan Palace, Tehran. Date unknown.
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Nasser al-Din Shah had a special interest in taking photos of his own slaves inside the harem. In this photo, 53 eunuch slaves of different ethnic backgrounds in their early childhood, had probably been recently sent from abroad to the local southern markets, and to the king’s harem. Among them four African boys (qolam bachehha), inside Nasser al-Din Shah’s harem, Golestan Palace, Tehran. Date unknown. Photograph: Central Library, University of Tehran, Tehran, Iran

Captions by Pedram Khosronejad. The Tehran Bureau is an independent media organisation, hosted by the Guardian. Contact us @tehranbureau

Fonte: http://www.theguardian.com/world/iran-blog/2016/jan/14/african-slavery-in-qajar-iran-in-photos?CMP=share_btn_fb

Bíblia Hebraica e Novo Testamento

Para quem está querendo relaxar nas férias e se instruir ao mesmo tempo, eu recomendo dar uma olhada nos cursos abertos da Yale University. Trata-se de um projeto que disponibiliza vídeos de cursos inteiros de diversos departamentos. É a melhor alternativa até a nova temporada de Game of Thrones.

Em particular, recomendo o curso sobre a Bíblia Hebraica, da Professora Christine Hayes. É um curso introdutório mas bastante abrangente e profundo sobre o que na cultura cristã corresponderia mais ou menos ao Velho Testamento.

A curso aborda desde os mitos do Oriente Médio que foram usados na composição do Gênesis, até os livros do judaísmo messiânico que, em grande medida, antecipam o tipo de ideias e de judaísmo praticados por Jesus e seu círculo.

Para complementar, sugiro também o curso de Novo Testamento, do professor Dale B. Martin. Você vai entender melhor desde o contexto do judaísmo messiânico praticado por Jesus, passando pela historicização e exame da cartas paulinas. Essas cartas formam, como sabemos, o primeiro corpo de normas e dogmas adotados mais tarde pela comunidade dos cristãos. Além, claro, de entender como o cânon do Novo Testamento foi formado. Ou seja, quando, por que e quem foram as pessoas que selecionaram os textos e criaram o Novo Testamento a partir de um conjunto muito maior de escritos sobre Jesus.

Infelizmente as aulas são em inglês. Elas podem ser encontradas na página da projeto Open Yale Courses juntamente com o programa do curso, a transcrição de todas as aulas e materiais complementares. E podem também ser encontradas no Youtube.